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Recente pesquisa divulgada pelo SPC - Serviço de Proteção ao Crédito, revela que mais da metade dos brasileiros admite ter feito compras por impulso nos últimos três meses. O que mais surpreende no estudo é que apenas uma pequena parcela dos entrevistados (cerca de 3%), acredita que foi influenciada pela própria ansiedade ou por campanhas publicitárias.

 

Porém, um número tão expressivo não pode ser explicado somente por promoções ou descontos imperdíveis, mas sim pelo próprio comportamento humano, e a forma com que ele tem sido influenciado. Dia após dia, somos bombardeados nas mais variadas situações com anúncios que pregam que a realização pessoal ou profissional depende daquilo que você pode consumir – ainda que isso signifique a compra de prazeres efêmeros e descartáveis.

 

Mulheres consomem mais?

Durante muito tempo, acreditou-se que as mulheres consumiam mais, mas, atualmente é impossível demarcar essa diferença. O que os publicitários perceberam rapidamente é a diferença entre os perfis de cada gênero: os homens são mais apegados ao consumo de artigos eletrônicos, enquanto as mulheres estão mais suscetíveis a vitrines repletas de calçados e artigos de vestuário.

 

Nem mesmo o público infantil consegue escapar. A falta de uma legislação que regule a publicidade dirigida às crianças abre espaço para um mercado apelativo, que torna as pessoas reféns do consumismo cada vez mais cedo. Neste contexto, os pais se tornam figuras impotentes diante dos massacres publicitários a que são submetidos os filhos, ainda incapazes de discernir o que é realmente necessário ou supérfluo.

 

Já a adolescência é, sem dúvidas, o período da vida mais atingido pela febre, já que representa um período de autoafirmação, no qual os jovens têm necessidade de competir constantemente, e o poder de compra pode se tornar um fator de poder com relação aos demais, além de definir o grupo ou a tribo que o adolescente faz parte ou deseja ser aceito.

 

Ofertas na caixa de entrada

É importante ressaltar ainda que não apenas os shopping centers são locais de impulso, mas também as lojas virtuais, que têm se popularizado nos últimos anos através da internet. Com essa expansão, as pessoas já não precisam mais sair de casa para consumir, pois as ofertas vêm até elas através do próprio correio eletrônico.

 

Em meio a essa onda de consumo desenfreado, estimulada também por políticas de governo, que buscam incentivar a indústria e o comércio, não é de causar surpresa os números cada vez mais alarmantes referentes ao endividamento das famílias do nosso país, que chegou a incríveis 62% no ano passado, de acordo com números da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor.

 

Diante deste quadro, é impossível não nos questionarmos: será que realmente precisamos consumir tanto para ser felizes? A resposta mais óbvia que se apresenta é a de que não, não existe necessidade de ceder à vontade das grandes marcas e consumir seus produtos ou serviços o tempo todo. Mas, então, por que consumimos? O que nos motiva a comprar coisas de que não estamos necessitando?

 

O que os estudiosos dizem

Sigmund Freud, pai da psicanálise, afirmava a partir de seus estudos e observações que o Homem é um ser que se deixa levar principalmente por seus desejos, e não por suas necessidades. Portanto, a natureza humana exerce um papel preponderante no momento em que os consumidores se deparam com os bens que estão sendo ofertados.

 

Além disso, também tem sido objeto de estudos de especialistas o fato de que pessoas mais vulneráveis emocionalmente tendem a se curvar mais facilmente diante de seus desejos momentâneos. É um indício claro de que consumimos também para preencher lacunas, ou nos distrair e fugir de situações que julgamos de complexa resolução.

 

Novos hábitos: eis o desafio

Voltando a analisar os resultados da pesquisa citada no primeiro parágrafo, podemos perceber que não há uma reflexão prévia sobre o ato de comprar, já que a maior parte dos participantes admitiram que consumiram por impulso. Sendo assim, e levando em conta ainda o perfil dos consumidores por gênero e faixa etária, fica visível um conjunto de fatores que criam uma sociedade voltada à cadeia de consumo: propagandas agressivas, o desejo de posse, e uma educação financeira deficiente por parte dos consumidores.

 

O grande desafio que se impõe é de criarmos uma consciência individual e coletiva que nos permita adquirir aquilo que almejamos, porém, respeitando as nossas limitações e reais necessidades. Adotando posturas diferentes, seremos capazes de evitar o aprisionamento que os nossos impulsos tentam nos impor diariamente,a final, há sempre um jeito de poupar nas compras e deixar o vício de compras compulsivas.

 

Números da pesquisa:

·52% dos entrevistados fez alguma compra por impulso nos três últimos meses

·35% dos consumidores admitem não ter o hábito de olhar o extrato bancário antes de fazer uma compra parcelada

·12% chegam a incorporar o limite do cheque especial e do cartão de crédito ao orçamento disponível para ser gasto no mês.

*O SPC Brasil e o portal Meu Bolso Feliz ouviram 694 consumidores nas 27 capitais brasileiras.

 

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publicado às 17:20



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